O 3º dia teve, para o Brasil, um sabor especial: nada menos do que 5 brasileiros participaram de sessões. A mais interessante foi a que teve como tema as economias emergentes da América Latina, com Glaucius (CNPq) e Simon Schwartzman na mesa, além de uma representante do Ministério da Educação da Colômbia. Mas o Brasil e seu programa Ciência sem Fronteiras foram o foco das atenções, como aliás tem sido ao longo da conferência. O programa tem despertado enorme interesse das universidades aqui no Reino Unido, e certamente daquelas em outros países, por razões óbvias.
Glaucius fez a apresentação básica, com as metas e as bases do programa. Simon levantou pontos relevantes, incluindo um que ele gostaria de ver repensado: a ausência das áreas de Ciências Sociais, Humanidades e Artes na proposta. Glaucius respondeu que, apesar de essas áreas não estarem contempladas diretamente, bolsas do PCSF de outras áreas liberariam verbas do orçamento original do CNPq e Capes que estariam sendo direcionadas para essas áreas.
Mas creio que o tema deveria ser mais debatido, pois a decisão, que Glaucius colocou claramente como tendo vindo da própria Presidência, indica uma falta de relevância dessas áreas para o atual governo – no meu entender um erro. Para entender melhor por que penso assim, é preciso recorder que, na fase anterior de alta participação no exterior de estudantes de pós-graduação (até mais ou menos meados da década de 80), áreas como Educação, Sociologia, História, Artes e outras, não tiveram a mesma densidade que as das Ciências da Natureza, Matemática, Saúde, Engenharias. Assim, algumas delas nunca atingiram o nível de maturidade acadêmica a que Física, Matemática, Química, Biologia, Medicina, Engenharias etc. chegaram. Isso trouxe sérios prejuízos para algumas delas, em que se vê hoje baixíssima densidade acadêmica de nível internacional, mesmo nas melhores universidades brasileiras.
Isso para a pós-graduação. Mas, mesmo na graduação, o tema da educação e formação de caráter geral, que foi recorrente ao longo desses 3 dias, seria melhor servido se nossos estudantes das áreas de História, Geografia, Pedagogia, Economia, Sociologia etc. da graduação, pudessem também se beneficiar de uma estadia de 6 meses ou mais numa universidade como Princeton, Yale, Berkeley, Stanford, Oxford, Cambridge, Sciences-Po, Munique, Roma, Milão, Barcelona, Amsterdam etc.
Mencionei isso ao Glaucius no final da sessão, vou voltar ao tema com ele, seria interessante que outras pessoas com visão semelhante – reitores, pró-reitores, docentes, insistissem nesse ponto. Sobre as outras mesas, volto num próximo post.




Concordo com o professor quando afirma que:
“…áreas como Educação, Sociologia, História, Artes e outras, não tiveram a mesma densidade que as das Ciências da Natureza, Matemática, Saúde, Engenharias. Assim, algumas delas nunca atingiram o nível de maturidade acadêmica a que Física, Matemática, Química, Biologia, Medicina, Engenharias etc. chegaram. Isso trouxe sérios prejuízos para algumas delas, em que se vê hoje baixíssima densidade acadêmica de nível internacional, mesmo nas melhores universidades brasileiras…
Proporia o seguinte adendo :
“…Por outro lado, sendo viável uma maior estreitamento entre áreas da Educação, Sociologia, História, Artes e outras, com as das Ciências da Natureza, Matemática, Saúde, Engenharias, talvez seja possível não só que as primeiras obtenham um maior nível de maturidade acadêmica, mas também que a Física, Matemática, etc otimize ainda mais seus níveis de desenvolvimento, contribuindo e ampliando o grau de significancia de seus resultados para com a Ciência e a Sociedade…”
No texto de meu comentário substitui a palavra “aproximação” por “estreitamento” e me esqueci de substituir a palavra “uma” por “um”.
Favor considerar o exposto.
Grato
Alberto Martins
Sou aluna ouvinte de educação na UNICAMP, do prof. Silvio Gamboa e gostaria de informações sobre cursos de pos graduação em Londres. Li este texto e me interessei pelo assunto. Cleide
Aluno de Economia na UNICAMP, este tema é pertinente e me interreso por ele. Como devo proceder? Laurent